A Espinha Dorsal - Vol. I

Tuesday, 9 February 2010

Provocação rápida e barata: Cinema é entretenimento, ponto. Filmes podem ser arte.

Perdi, LOLZ

E se o ideal que se almeja for entretenimento? Vale lembrar que o Cinema começou assim, às avessas. Era bricabraque de entretenimento, e só muito depois veio se tornar arte.

E se o ideal que se almeja com Cinema for entretenimento e arte for algo que se consiga de bônus, em alguma obra específica que foge à regra geral? ririri

Mas o entretenimento é um Objetivo porque ou você atinge ou não. O cinema/a arte é um Ideal, já que o resultado depende de questões subjetivas, pessoais ou sociais/contextuais para alcançar um tal valor, que é restritamente individual.

Além disso, toda arte nasceu através de um princípio da utilidade, nem que apenas de representação da realidade de um dado momento - invalidar algo sobre esse viés é invalidar a arte como um todo.

A arte do Cinema, porém, seria a exploração das imagens em movimento, que é um aspecto (considerando-se algo que é puramente do cinema) mais da produção avant-garde, mas de obrigatória participação em qualquer filme ou obra, etc.

Isso faz sua afirmação final uma máxima da produção cinematográfica, mas, reforçando Kurosawa, existe a ruptura entre os dois conceitos, mesmo que estes obrigatoriamente coexistam.

Claro, concordo com quase tudo. Discordo ser o entretenimento algo palpável, e considero tudo isso muito mais subjetivo e pessoal do que muitas coisas. Ninguém sabe se um filme conseguiu ser divertido, até assistí-lo, e julgar (baseado, aí, em gostos pessoais). A Arte só é Ideal para quem nunca fez Arte e quer fazer Arte, e sua definição do que é Ideal me deixou a desejar. Heh.

Eu não invalidei o cinema como arte, e muito menos por ele ter nascido "às avessas"; foi um comentário, e um comentário pertinente. Não se pode dizer que Hollywood faz merda porque não faz arte, quando eles são provavelmente os únicos que ainda fazem Cinema de Raiz (ou seja, de entretenimento) no planeta. Daí Godard dizer que Cinema se resume em duas palavras: "Cinema Americano".

Toda arte nasceu do princípio da utilidade, assim como tudo que o Homem faz (olha Marx aí), mas o Cinema foi a única arte a nascer e ter como esse príncipio o lucro, o dinheiro do telespectador. Lembra da lenda das pessoas correndo da sala de cin

(...) Lembra da lenda das pessoas correndo do cinema porque havia um trem chegando de dentro da tela? Dinheiro, entretenimento, etc, etc. Show sobre "olha o que nós podemos fazer com fotos, agora".

Se cinema é pop-art, isso significa que não possui um apetite/estômago intelectual autônomo? Porque a minha definição de popular continua sendo a de showbiz, desprovido de valores fundamentalmente (especificamente) eruditos.

Para encerrar, outra provocação: seria o Cinema simplesmente a fase de transição entre o Teatro e a Fotografia? O que viria depois?

E mais: por que a grande maioria dos cineastas que tornaram-se famosos por tratarem o Cinema como "Arte" parecem ser os únicos a vislumbrar que a Arte se esconde do óbvio? Digo, Stalker é metade do que é por culpa da respiração forte dos personagens durante todo o filme e o olhar triste do protagonista (plus a trama, né). Ou seja, algo bem diferente do óbvio e fácil "quadros bonitos + música divertida + diálogos instigantes".

E tem também aqueles sujeitos que acreditam ser o Cinema uma simples e bastarda mistura de todas as artes, uma interatividade aleijada entre seis mundos distintos que só funcionam bem juntos quando não são exatamente o foco da obra.

abraços

Mas, considerando uma massa, o entretenimento é palpável - há sempre um risco, mas os resultados são flagrantes; e podem ser repetidos. Até porque, há o entretenimento na própria arte (no tal Cinema), já que eu considero, pessoalmente, estúpido lutar contra seus prazeres intrínsecos com o simples objetivo de querer ser/parecer inteligente (não que isso me faça contra a educação e o conhecimento do desconhecido, ao até de experiências desagradáveis apenas para experimentar, etc etc etc: pessoalmente tudo se soma).

Enfim, eu tinha entendido, era só pra garantir. O negócio é que o cinema é a arte mais custosa, e isso força o desenvolvimento de um comércio próprio: exatamente por isso se dá uma arte que é um sub-produto (tá mais para um amálgama - e considero isso a resposta para "o que viria depois?", embora considere que o cinema é o meio termo entre a fotografia e uma arte puramente tecnológica; enfim, a concepção de que filmes digitais são uma arte distinta) & que se desenvolveu principalmente nos Estados Unidos (ver: apogeu americano pós-Primeira Guerra, dado o crescimento econômico E a situação catastrófica da Europa, etc - eu não tenho uma aula de história sobre isso há uns 4 anos, mas you get it); que é, aliás, onde existe a maior concentração de cineastas de vanguarda (interessados na exploração das possibilidades Cinéticas, não no desenvolvimento de toda uma linguagem modernista/pós-modernista, etc) e, de uma forma geral, simplesmente os mais bem sucedidos do mundo (em números, devem ter 4 excelentes autores americanos para cada um francês, por ex.); isso, claro, força a aspecto de entretenimento de massa - especialmente quando um dito Cinema-Político é meramente marginal -, essa coisa pop-art (que não quer dizer isso, mas saquei) é válida, mas aí entra o Cinema como um bônus, que é inseparável do aspecto Entrenimento num meio audiovisual; e o apetite é a própria Indústria, que influencia mas não é a Obra final.

Enfim, quem faz certamente compreende melhor que quem assiste; acho que o que é interessante é discutir porque o Fellini é tão amado por diretores (lembro do Kubrick dizer alguma coisa, mas reforço especialmente pelo que o Bergman diz, considerando que o Bergman é o maior bicho cu do cinema, odiando todo mundo de Orson Welles à Goddard).

Ou algo nessa linha.

10 comments:

lordmandragora said...

No primeiro parágrafo, você confundiu entretenimento com lucro. A massa retorna lucro, mas o entretenimento pode ser coletivo ou individual. Eu posso analizar, sob minhas condições pessoais, se um filme foi ou não divertido. Não posso? Titanic fez mais sucesso na massa que Os Incríveis, e eu continuo achando o segundo muito mais divertido. (É aceitar que um filme pode divertir alguém (ou um grupo de pessoas) de diversas maneiras, ou nós podemos discutir análise de discurso, estruturalismo e Saussurre, o que seria muito entediante).

De resto, estamos quites.

sem mais said...

Nem confundi. O entretenimento gera lucro; um filme que não entretém o máximo de gente possível, não gera lucro o bastante - e eu estabeleci a idéia do lucro individual na maior parte do parágrafo, qualé. A questão é que o lucro não é influenciado apenas pelo entretenimento (como é o caso Titanic X Os Incríveis, onde Os Incríveis é prejudicado pelo preconceito em ser uma animação e um filme infantil, enquanto o Titanic tem um hype extra por ter sido um filme extremamente caro, de efeitos especiais inovadores [ou grandiosos, no mínimo], etc etc etc), ou melhor, por um entretenimento que é também midiático e não apenas fruto da obra.

lordmandragora said...

O lucro não pode ser utilizado como medidor absoluto para o entretenimento.

Você está falando de entreter um máximo de gente possível, e isso tem muito mais a ver com campanha marketeira do que a qualidade que o filme possui de entretenimento. É preciso separar as coisas.

Um filme pode ou não ser divertido, e pode ou não gerar lucro (ou seja, entreter o máximo de gente possível). São duas coisas diferentes. Ambas andam de mãos dadas, mas são diferentes.

Acho que você confundiu Entretenimento com Comércio. A provocação não é: Cinema é Comércio. Filmes podem ser Arte, ponto.

A provocação é: Cinema é Entretenimento. Filmes podem ser Arte, ponto.

Aí você vai me dizer que o Entretenimento é simplesmente a arma mais eficiente do Comércio para alcançar Lucros, o que está quase correto (o marketing é a arma mais eficiente, creio), mas o Entretenimento ainda pode ser presenciado em filmes de baixo alcance midiático e que mesmo assim foram FEITOS para entreter.

Ou não. Sei lá.

lordmandragora said...

Sinto que estou sendo evasivo. O que você acha?

Cidadão ³ said...

Ora, bolas, eu podia jurar que o "sem mais" era o azul, e não o vermelho.

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Não importa. Cinema é "gastar dinheiro", e não "fazer dinheiro".

Todo filme de Cinema é como uma grande obra pública (embora, obviamente, não seja).

sem mais said...

Ué, mas eu sou o azul. Aliás, acho até que é roxo.

No mais, concordo.

Sobre Jimmy:

Mas eu falei exatamente isso: as pessoas podem se entreter simplesmente por estar presenciando algo que é digno de nota, como Avatar, que é o tipo de filme onde as pessoas já entram gostando (aka entretenimento midiático, fruto do marketing, hype, etc).

O que você tá fazendo é separar o divertimento coletivo (que é o que gera lucro), do divertimento individual (que pode ou não gerar lucro), que faz sentido, mas que, para a Grande Imagem da Indústria, é irrelevante (tirando, sei lá, o caso da Warner com o Kubrick).

Enfim, eu associo conscientemente Entretenimento com Comércio, visto que eu estou propondo que se pode Comprar Diversão, mas não se pode comprar Arte, da mesma forma que se comprar Sexo, mas não se compra Amor - i.e. a Arte é intangível, abstrata, subjetiva: é muito mais complicado medir a qualidade artística de um filme, do que a quantidade de diversão que ele gerou, etc.

Cidadão ³ said...

Ah, então quando Jimmy diz "no primeiro parágrafo", ele diz "em seu primeiro parágrafo".

Bom saber.

lordmandragora said...

Eu separei o entretenimento coletivo do individual justamente para minha pergunta fazer um sentido não óbvio(que seria o do cinema indústria). O que é entretenimento e onde se encontra isso numa obra cinematográfica? Até onde o cinema é entretenimento, e até onde o entretenimento difere da arte?

etc

anyway, só punheta mesmo.

Anonymous said...

quem põe um D a mais em Godard não pode tá falando sério

Jimmy said...

Errado: quem entra num blog sob a alcunha de "anonymous", faz um comentário pouco pertinente ao rumo da prosa e ainda paga de gostosão que não pode estar falando sério.

Ok?

Não é tomando as dores do sem mais, não, mas é que... sei lá.